Antes de qualquer coisa: eu não comecei essa jornada sozinha porque quis economizar. Comecei porque uma pessoa me fez entender, sem querer, que eu era a única que realmente ia priorizar o meu próprio processo.
Deixa eu voltar um pouco. Cheguei até aqui depois de anos de tentativas — fiz o primeiro IELTS ainda em 2019, tentando viabilizar uma rota por college. Refiz a prova outras vezes ao longo do caminho. Cheguei a considerar pós-graduação no Canadá e também uma rota pela cidadania portuguesa do meu marido. Nada disso se encaixou. O que finalmente funcionou foi uma decisão tomada em fevereiro de 2024: começar a estudar francês. Menos de um ano depois, eu tinha o CLB7 que precisava — não na primeira, mas na segunda tentativa na prova do TEF Canadá.
E foi logo depois de conseguir o CLB7 em francês, no fim de 2024, que contratei uma consultoria para abrir meu perfil no Express Entry. Eu achava que a pontuação só com o francês, mesmo que baixa, já seria suficiente para abrir o perfil. Não foi. A consultora me explicou que, por causa da perda de pontos pela minha idade (40 anos na época), eu não tinha os 67 pontos mínimos de elegibilidade apenas com o francês — eu precisaria refazer a prova e melhorar a nota, ou fazer o inglês também. Decidi ir direto para o inglês.
Fiz a prova do IELTS em fevereiro de 2025, achando que não ia conseguir, mas graças a Deus consegui! E foi essa nota, somada ao francês, que finalmente completou os 67 pontos e me permitiu abrir o perfil. Só então, com as duas notas em mãos, calculamos minha pontuação CRS completa: 391.
A consultora olhou aquele número e disse que era ruim. Que minha chance de ser chamada era zero ou muito baixa. E, para completar, avisou que só conseguiria abrir meu perfil dali a uma ou duas semanas, pois estava com um volume grande de outros clientes, gente correndo atrás de extensão de visto.
Era alguém que “vivia” a imigração, praticamente dizendo que minha pontuação era um “lixo” e que eu poderia ficar pra depois. Eu chorei muito naquele dia.
Sabe, não era só a pontuação parecendo ruim. Era a sensação de que eu tinha feito tudo certo até ali — anos de preparação, duas línguas, todas as provas — e agora dependia do tempo de outra pessoa… uma pessoa que tinha uma fila inteira de gente na frente de mim. E se saísse uma rodada naquela semana em que eu estava esperando a boa vontade dela?
A decisão de abrir o perfil sozinha
Não esperei! Abri meu próprio perfil no Express Entry, preenchi tudo sozinha, e pedi para ela só revisar depois. Ela levou cerca de uma semana para conferir. Três semanas depois, veio o convite — num draw com a menor pontuação de corte do ano de 2025: 389. A minha era 391. Se eu tivesse esperado a consultoria agir no tempo dela, é bem provável que eu tivesse perdido justamente essa rodada.
Foi aí que entendi uma coisa simples, mas que eu precisava sentir na pele para realmente aprender: um consultor de imigração tem uma fila inteira de gente. Você não é prioridade para ele. Você só é prioridade para você mesma.
Depois disso, falei para ela que não precisava mais conduzir meu processo. E não foi só pela urgência — foi porque percebi que, depois de anos carregando essa história sozinha, ninguém ia contar meus documentos, minhas datas, minha trajetória melhor do que eu mesma. Organizar tudo para que outra pessoa entendesse minha história já seria um trabalho enorme por si só. Fazia mais sentido eu simplesmente fazer.
É essa decisão — e tudo que aprendi tendo que descobrir cada etapa sozinha — que eu quero compartilhar aqui. Se você também está pensando em aplicar por conta própria, ou só quer entender se vale a pena, espero que esse espaço te ajude a decidir com mais clareza do que eu tive no começo.

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